sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A propósito do Dia Internacional das Bibliotecas Escolares


Fotografia recolhida em:


Aprender a estudar 

Estudar não é só ler nos livros
que há nas escolas.
É também aprender a ser livres,
sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante,
às vezes, urgente,
mas os livros não são o bastante
para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever,
mas também a viver,
mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer,
aprender a estudar.
Aprender a crescer quer dizer:
Aprender a estudar, a conhecer os
outros a ajudar os outros,
a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros,
aprende sempre a viver bem consigo próprio.
Não merecer um castigo é estudar.
Estar contente consigo é estudar.
Aprender a terra, aprender o trigo
e ter um amigo também é estudar
Estudar também é repartir
também é saber dar
o que a gente souber dividir
para multiplicar.
Estudar é escrever um ditado
Sem ninguém nos ditar;
E se um erro nos for apontado
é sabê-lo emendar.
É preciso, em vez de um tinteiro,
ter uma cabeça que saiba pensar,
pois, na escola da vida,
primeiro está saber estudar.
Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta de somar
que se pode fazer.
Dizer apenas música,
quando se ouve um pássaro,
pode ser a mais bela redação do mundo...
Estudar é muito
Mas pensar é tudo!

Este é um poema de Ary dos Santos.
Escolhemo-lo, como é óbvio, pela temática que encerra… porque aprender a vida está muito para além das quatro paredes da sala de aula...
… e no entanto vamos lê-lo, com os alunos, em todas as aulas do primeiro tempo da manhã no dia 28 de outubro, para assinalar o Dia Internacional das Bibliotecas Escolares.

Ary Dos Santos é um poeta que viveu entre 1937 e 1984.
Para além deste, deixou-nos muitos outros poemas, como As Portas que Abril Abriu ou os da Rua da Saudade, que muito recentemente deu nome ao álbum com canções do próprio Ary, interpretadas por outros nomes conhecidos como Mafalda Arnauth.
... ou canções como Cavalo à Solta ou Tourada, do duo Ary dos Santos/Fernando Tordo, que continuamos a ouvir.
Como reconhecimento do seu legado, foi agraciado com o título de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, a título póstumo, em 2004.

... e na sua própria voz:

Mulher-Maio




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